.
Ela, no último quarto da torre mais alta do enorme castelo no topo da colina, pensa e divaga.
Por que os temidos e valentes cavaleiros não a tiram de lá se até mesmo os bobos da corte batem diretamente à sua porta?
.
.medos momentâneos.
.
ela sente medo ao deitar em sua cama
sonha pequenos sonhos que ainda não se realizaram
sonha pequenos devaneios que precisa ter
ela aperta o rosto no travesseiro e chora
tem medo de perder esses sonhos antes do sono chegar
tem medo destes devaneios se espalharem na escuridão
ela abraça seu próprio corpo com força
arranha suas costas para sentir a realidade
arranha seu passado para ele se machucar e ir
ela se vira de bruços para esmagar o peito
dói tanto esse eco que não para de gritar
dói esse medo de não fazê-lo calar mais
ela adormece com esse furacão devastador
sonha com tudo que está por vir
sonha em nunca mais precisar acordar
.
ela sente medo ao deitar em sua cama
sonha pequenos sonhos que ainda não se realizaram
sonha pequenos devaneios que precisa ter
ela aperta o rosto no travesseiro e chora
tem medo de perder esses sonhos antes do sono chegar
tem medo destes devaneios se espalharem na escuridão
ela abraça seu próprio corpo com força
arranha suas costas para sentir a realidade
arranha seu passado para ele se machucar e ir
ela se vira de bruços para esmagar o peito
dói tanto esse eco que não para de gritar
dói esse medo de não fazê-lo calar mais
ela adormece com esse furacão devastador
sonha com tudo que está por vir
sonha em nunca mais precisar acordar
.
.har.
.
o suspiro leva do peito
todas as palavras
que sonho em te dizer
apenas meus lençóis
estão aqui para ouvir
minhas saudades
.
o suspiro leva do peito
todas as palavras
que sonho em te dizer
apenas meus lençóis
estão aqui para ouvir
minhas saudades
.
.arrependimentos inoportunos.
.
e agora ela vem assim, requebrando de mansinho, em minha direção
chega com seu olhar perdido na imensidão das duas bolitas de piscina
sua boca entreaberta molhada pela lingua nervosa balbucia um quase silencioso oi
seus lábios carnudos mancham meu rosto de algo que lembra chocolate
arruma seus negros cabelos com a mão que antes tinha nossa marca
pede um café para igualar nosso primeiro encontro
senta na minha frente e cruza suas pernas delineadas pela risca de giz
a ponta de seu sapato roça meu joelho por uns instantes
meu corpo inteiro sente um calafrio e percebo o mundo ensolarado de novo
não lembrava por que eu tinha me apaixonado por sua pele alva e seu cheiro de jasmim
e agora ela vem assim, me quebrando de mansinho
jogando na minha cara as lembranças que escondi no velho baú
desafogando o brilho dos meus olhos que deixei em outro copo
me fazendo entender as estações que dividiram minha vida
certamente riria do inverno que arrasava todas as plantações que eu tentei cultivar
e apenas com o sorriso acanhado me fez lembrar da eterna primavera que era ao seu lado
deixei por alguns segundos de respirar para evitar a voz trancada por palpitações aceleradas
já nem pensava mais em números, contas e divisões de futilidades
pela segunda vez, me suicido internamente por causa dela
.
e agora ela vem assim, requebrando de mansinho, em minha direção
chega com seu olhar perdido na imensidão das duas bolitas de piscina
sua boca entreaberta molhada pela lingua nervosa balbucia um quase silencioso oi
seus lábios carnudos mancham meu rosto de algo que lembra chocolate
arruma seus negros cabelos com a mão que antes tinha nossa marca
pede um café para igualar nosso primeiro encontro
senta na minha frente e cruza suas pernas delineadas pela risca de giz
a ponta de seu sapato roça meu joelho por uns instantes
meu corpo inteiro sente um calafrio e percebo o mundo ensolarado de novo
não lembrava por que eu tinha me apaixonado por sua pele alva e seu cheiro de jasmim
e agora ela vem assim, me quebrando de mansinho
jogando na minha cara as lembranças que escondi no velho baú
desafogando o brilho dos meus olhos que deixei em outro copo
me fazendo entender as estações que dividiram minha vida
certamente riria do inverno que arrasava todas as plantações que eu tentei cultivar
e apenas com o sorriso acanhado me fez lembrar da eterna primavera que era ao seu lado
deixei por alguns segundos de respirar para evitar a voz trancada por palpitações aceleradas
já nem pensava mais em números, contas e divisões de futilidades
pela segunda vez, me suicido internamente por causa dela
.
.fim de festa.
.
ela tentou negar
tentou esconder e camuflar com rosa choque
mas ele ficava por ali, rondado seu olhar
aquele ciúme estúpido, bobo
aquela vontade de sumir, ou de aparecer de repente
aquele apertinho no estômago constante
ela odiava aquela sensação insegurança de menina perdida
odiava ver todas as flores verde musgo
de dentro de uma camisa de força
era naquele momento que as luzes se acendiam
suas borboletas entravam num frenesi
e então paravam de dançar
.
ela tentou negar
tentou esconder e camuflar com rosa choque
mas ele ficava por ali, rondado seu olhar
aquele ciúme estúpido, bobo
aquela vontade de sumir, ou de aparecer de repente
aquele apertinho no estômago constante
ela odiava aquela sensação insegurança de menina perdida
odiava ver todas as flores verde musgo
de dentro de uma camisa de força
era naquele momento que as luzes se acendiam
suas borboletas entravam num frenesi
e então paravam de dançar
.
.
eu chego e ela está ali.
ocupando minha cama, como se fosse um gigante.
esperando para ter suas roupas rasgadas, seus segredos descobertos, seu corpo violado.
espera por um toque suave também, um olhar atento e um abraço contra o peito.
mas isso não me importa muito.
faço de conta que não a vejo. ignorando-a, ignoro também meus medos, meus receios e minhas mais secretas paixões.
vou até a cozinha preparar algo para comer. bem devagar. canto uma música, duas, três. elas vão e vêm na minha cabeça. ocupando o lugar de conversas devaneiosas, diálogos solitários.
volto, fecho a porta e fico parada a observá-la.
seu jeito, sua brancura, seu olhar atento.
me pedindo, me implorando para eu devorá-la, para eu possuí-la até o último suspiro.
docemente, a pego e coloco-a mais perto de mim. fito sua face, seu rosto estampando meu nome.
cheiro seu cangote - ainda pode ter algum perfume ali.
rasgo sua roupa e deixo ela assim: nua, aberta.
depois de possuí-la duas, três quatro vezes, deixo-a de lado e como tranquilamente.
desvendado, seu corpo alvo, com machas percorrendo-lhe caminhos, ainda me chama. pego-a no colo, aperto-a contra meu peito.
durmo então, abraçada no único pedaço que tenho de ti.
a carta
|baú.05.04.04|
2z
eu chego e ela está ali.
ocupando minha cama, como se fosse um gigante.
esperando para ter suas roupas rasgadas, seus segredos descobertos, seu corpo violado.
espera por um toque suave também, um olhar atento e um abraço contra o peito.
mas isso não me importa muito.
faço de conta que não a vejo. ignorando-a, ignoro também meus medos, meus receios e minhas mais secretas paixões.
vou até a cozinha preparar algo para comer. bem devagar. canto uma música, duas, três. elas vão e vêm na minha cabeça. ocupando o lugar de conversas devaneiosas, diálogos solitários.
volto, fecho a porta e fico parada a observá-la.
seu jeito, sua brancura, seu olhar atento.
me pedindo, me implorando para eu devorá-la, para eu possuí-la até o último suspiro.
docemente, a pego e coloco-a mais perto de mim. fito sua face, seu rosto estampando meu nome.
cheiro seu cangote - ainda pode ter algum perfume ali.
rasgo sua roupa e deixo ela assim: nua, aberta.
depois de possuí-la duas, três quatro vezes, deixo-a de lado e como tranquilamente.
desvendado, seu corpo alvo, com machas percorrendo-lhe caminhos, ainda me chama. pego-a no colo, aperto-a contra meu peito.
durmo então, abraçada no único pedaço que tenho de ti.
a carta
|baú.05.04.04|
2z
Assinar:
Postagens (Atom)